terça-feira, 5 de agosto de 2014

NORMAS DE OBSERVAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS JUIZES


ASSIM, NÃO!

 
Publicou recentemente o CA/FPB as normas para observação e classificação de árbitros e oficiais de mesa para a época 2014/2015.

Associada a essa divulgação, o CA pretendeu passar a imagem de uma grande decisão para o desenvolvimento da modalidade, alicerçada em princípios de transparência e motivação dos juízes e numa ampla discussão com os interessados.

Se o documento, em si mesmo, já é passível de criticas, a forma como o processo foi gerido ultrapassou os mais elementares princípios do diálogo construtivo e de participação de todos os agentes na elaboração de documentos estratégicos da modalidade e, em particular da arbitragem, o que originou uma tomada pública de posição no lugar e momento próprio.

Nessa altura ficou a promessa de voltar ao assunto, o que faço agora como a única forma de poder contribuir para a melhoria de funcionamento do setor da arbitragem e das normas em que se deve suportar.

O documento apresentado tem que ser analisado pelo seu conteúdo e objectivos mas, também, no enquadramento do momento atual da arbitragem e da modalidade, e na metodologia adoptada pelo CA/FPB.

Para tal, nada melhor do que analisar a verdade indesmentível dos factos, e a sua evolução ao longo dos tempos, deixando que as conclusões possam ser retiradas pelos leitores e, fundamentalmente, pelos juízes.

A - Enquadramento e metodologia

1. No Protocolo celebrado entre a FPB e a ANJB ambas as partes assumiram o compromisso de

"colaborarão em todas as actividades relacionadas com a modalidade,
que possam ter a ver com o interesse de ambas,
bem como enviarão à outra parte todos os documentos que lhes possam convir".
 
Nesta matéria, como noutras, não houve qualquer troca de ideias ou espírito de colaboração, não tendo as normas sequer sido remetidas para a ANJB;
2. Em reunião de CAD´s com o CA/FPB realizada em 9/09/2012 foi manifestado pelos CAD´s o seguinte entendimento:

"nas Normas deverão ser vertidas as opiniões dos CAD’s e que os juízes não devem estar sujeitos à mudança e à flexibilização dos quadros, não devendo as despromoções parecer ser a base do modelo ideal. Mais foi afirmado que, com a futura extinção do QA à 1ª categoria, o regime de classificações não será imparcial, dado o quadro de observadores não ser suficientemente homogéneo, sendo maior o grau de subjetividade".

Já nesta data os CAD´s manifestavam as suas criticas ao modelo sugerido pelo CA e apontavam concretamente três situações:

    • Necessidade de ouvir a opinião dos CAD`s;
    • Não sujeitar os juízes a constantes alterações de normas;
    • Com a extinção do quadro de acesso à 1ª categoria o sistema não será imparcial sendo maior o grau de subjetividade;
Ora o CA fez rigorosamente o oposto em todos os aspectos, isto é, não ouviu os CAD´s, fez mais uma alteração às normas de observação e classificação dos juizes e não acautelou os aspecto de imparcialidade com a extinção daquele quadro de acesso.

 
3. O documento foi divulgado no ultimo dia da última época do mandato do atual CA/FPB, estando as eleições marcadas para Setembro próximo (ou novembro, em caso de adiamento).

É certo que a modalidade e a arbitragem não podem parar enquanto decorre o processo eleitoral, mas a arbitragem somos todos nós, e não só o CA, por isso mais relevante se tornava a participação alargada de CAD´s e juízes.

O documento seria debatido por todos, o que o tornaria mais robusto pois estava alicerçado na discussão aberta entre todos os primeiros responsáveis pela arbitragem nacional.

 
4. Dizem alguns que, de facto, neste ou naquele aspecto poderia o CA ter actuado doutra forma, mas que no futuro as coisas podem mudar.

Desenganem-se!

Esta forma de atuar do CA constitui o seu próprio "ADN".

Quando diretamente questionado sobre a pouca abertura e falta de aceitação de ideias propostas pelos CAD´s, o CA/FPB em reunião afirma:

"ganhamos as eleições para por em prática as n/ ideias e
quem tem outras ideias que concorra às próximas eleições".

Mais ainda, quanto à não discussão dos documentos estruturantes da arbitragem, o CA afirma que isso não é feito porque o que os CAD´s queriam era conhecer as propostas para depois as criticarem.

Estamos esclarecidos.

 
5. Por isso, este é o momento de procurar convergências, de ter capacidade de liderança para um processo que convoque todos para podermos superar as grandes dificuldades da modalidade.

A arbitragem tem que ter a capacidade de se abrir e ouvir a opinião de todos.

Durante muitos anos formamos os juízes, e bem, numa ótica de prestadores de serviço de qualidade à modalidade, que como tal teriam que ter uma postura de rigor e profissionalismo.

Os juízes responderam afirmativamente.

Agora é tempo de quem vier a dirigir a arbitragem ter a capacidade de entender que a prestação de serviço tem um cliente e que este tem obrigatoriamente que ser um parceiro nas decisões estratégicas, tal como os juízes e toda a estrutura da arbitragem.

Temos que procurar canais de comunicação válidos e enriquecedores, que tragam para o nosso seio novas competências e novos horizontes, que lancem desafios de superação, pois só assim verdadeiramente podemos evoluir.


Voltaremos em breve, analisando as alterações às normas de observação e classificação dos juízes.
 
valdemar cabral

sábado, 5 de julho de 2014

ELEIÇÕES


Sou Delegado a Assembleia Geral da F.P.B.

 
Não o podendo fazer mais cedo, quero por este meio transmitir o meu sincero agradecimento a todos os árbitros, oficiais de mesa e comissários técnicos que, de Bragança à Ilha Terceira, me manifestaram o seu apoio.

OBRIGADO!

Muito me honra ser o delegado mais representativo da arbitragem nacional, pois para a minha eleição contribuíram juízes de 15 das 21 Associações de Basquetebol.

Estas eleições foram um momento alto de afirmação da arbitragem, tendo votado 322 juízes, o que significa que foi o setor da modalidade mais participativo nestas eleições.

Mantivemos durante todo o processo eleitoral a postura ética que qualquer juiz, comissário ou dirigente deve ter em qualquer circunstância da sua vida desportiva, para poder continuar a ser credor do respeito e consideração necessários junto de todos os juízes e agentes da modalidade.

Mas o que importa, agora, é falar do futuro.

Todos poderão contar com o meu empenho, disponibilidade e sentido de missão para trabalhar em prol da arbitragem, muito especialmente no sentido da criação de um sistema de gestão da arbitragem em que se afirmem os valores da ética, do compromisso, do rigor e da transparência  ao serviço da modalidade e de todos os juízes, independentemente da sua região.
 
 
valdemar cabral

quarta-feira, 21 de maio de 2014

REGULAMENTOS DE ARBITRAGEM


Oportunidade perdida..
 

Através do Com. nº 40-CA/FPB, de 19 de Maio, foi tornado público que a Direção da F.P.B. aprovou a revisão dos Regulamentos Geral e Disciplinar da Arbitragem, em vigor há mais de 35 anos.

São, de facto, dois documentos importantes para o setor da arbitragem e para os juízes e que, como tal, devem merecer a especial atenção da estrutura da arbitragem e de todos os árbitros, oficiais de mesa e comissários técnicos.

O conteúdo técnico dos referidos regulamentos, bem como a oportunidade  da sua aprovação, é matéria que pode, e deve, merecer alguma reflexão, sendo no entanto de manifestar total concordância com o facto de os regulamentos atribuírem ao CA/FPB a competência disciplinar sobre os atos, ou omissões, dos juízes que possam, à sua luz, ser censuráveis.

No processo que conduziu a aprovação daqueles documentos, desconhece-se, em absoluto, qual o grau de participação e responsabilidade do CA/FPB, mas atento o seu comunicado onde refere que
"o CA da FPB congratula-se com o objetivo desta tarefa, pelo facto de se ter conseguido voltar a recentrar no próprio sector da Arbitragem aquilo que a ele efetivamente pertence",
fácil é de depreender do seu pleno envolvimento e, porventura, iniciativa, em todo este processo.
Mas mais importante do que as soluções encontradas é a análise da metodologia adotada, pois a mesma não pode deixar de transmitir a forma de estar e pensar a modalidade e, em particular, a arbitragem.

De facto, perdeu-se mais uma oportunidade para promover a participação da estrutura da arbitragem e dos juízes num debate que a todos interessa e de que só resultaria, por certo, um maior envolvimento e co-responsabilidade de todos e o fortalecimento das soluções encontradas.

Não devemos ter receio da participação dos CAD´s e de todos os juízes, através da sua associação, em tudo o que diga respeito ao Basquetebol e à arbitragem em particular, devemos antes considerar que tal é um direito inalienável e um dever daqueles que têm sob a sua responsabilidade a gestão do sistema da arbitragem.

Mais se estranha esta atitude quando o CA/FPB refere que se tratou de "um trabalho algo moroso".

Se assim foi, não há, aparentemente, nenhum motivo para que o envolvimento das partes interessadas em todo este processo não tenha ocorrido.

Não invocando outro tipo de princípios que devem orientar uma gestão das causas públicas, como a arbitragem o é, basta referir o que estatutariamente está previsto no que se refere à competência do Conselho de Arbitragem
"Assegurar, em articulação com os Conselhos de Arbitragem das Associações Distritais e Regionais a coordenação da gestão do sistema da arbitragem em todo o território nacional "
- al. d) artº 43º dos Estatutos da FPB.

Por isso, e porque o que importa é debater e contribuir para a melhoria da arbitragem nacional pergunta-se:

Tratando-se de um documento tão estruturante de um setor tão especifico e sensível não seria recomendável, e até exigível, que os CAD´s tivessem sido envolvidos neste processo de revisão?

Por razões de legalidade, pensamento democrático e bom senso, não seria de ouvir a ANJB, enquanto entidade representativa dos juízes?

É por isso que há muito defendo o reforço das competências da Assembleia Geral da F.P.B. único fórum capaz de promover, de forma transversal, a participação de todos os agentes nas questões fundamentais da modalidade e de garantir a plena democratização de processos e das soluções para o desenvolvimento da modalidade.

Só a participação envolvente pode motivar todos os agentes para um processo de evolução do basquetebol e da arbitragem em particular.

Ao limitar-se a participação à divulgação de informação institucional estamos a criar um "gap" entre a gestão da arbitragem e os juízes, e os seus órgãos representativos, e a por em risco o compromisso e o sentido de envolvimento que deve existir entre os juízes e a sua estrutura dirigente, seja ela nacional ou regional.

Na era do digital não é possível impedir a comunicação e discussão de qualquer assunto. 

Se aos juízes e às estruturas representativas não se disponibiliza o espaço interno de discussão para poder contribuir para as decisões que afeta o sector, é muito provável que esse debate se faça através de canais externos, o que poderá ter então inconvenientes para a imagem da própria modalidade.

Pena que se percam tantas oportunidades para promover o envolvimento e participação de todos naquilo que é o amor que nos une - a arbitragem do Basquetebol.

 

Valdemar Cabral

domingo, 11 de maio de 2014

ELEIÇÃO DE DELEGADOS ASSEMBLEIA GERAL DA F.P.B.

SOU CANDIDATO


Está aberto o processo eleitoral para a constituição da Assembleia Geral da FPB, para o quadriénio 2014-2018.
 

Este processo eleitoral é uma oportunidade para, aos mais diversos níveis, se apresentarem propostas, se discutirem soluções e, de uma forma participativa e inovadora, todos contribuírem para um novo impulso na nossa modalidade.

A Assembleia Geral da F.P.B., enquanto órgão máximo da modalidade, tem que ser o motor desse impulso e o fórum onde se debata e aprove a politica de desenvolvimento e as estratégias a prosseguir, cabendo aos diversos órgãos executivos promover os meios para a sua persecução e permanente adequação às necessidades competitivas e à valorização do jogo em todas as suas vertentes.

Neste sentido, decidi candidatar-me ao lugar de Delegado, a eleger pelos Juízes.
 
Candidato-me porque considero que reúno todas as condições para poder representar os juízes e contribuir para um trabalho que, sendo colectivo, tem que ter elementos de referência, com competência, provas dadas  e capazes de motivar e gerar consensos com todos os agentes da modalidade

Por outro lado, faço-o porque entendo que:

  1. Os juízes têm que ter uma voz ativa e inovadora que intervenha numa perspectiva global na defesa dos interesses da arbitragem, enquanto factor determinante do sucesso do jogo e do seu desenvolvimento;
  2. É necessário pensar o Basket, reconhecendo todos os aspetos positivos mas também que há um longo e difícil caminho a percorrer se quisermos que o basquetebol seja uma modalidade de maior referência no desporto nacional;
  3. É imperioso dar um passo qualitativo no modelo de gestão da arbitragem, definindo  objetivos e metas, áreas de responsabilidade e responsáveis, modelos e meios de gestão;
  4. É tempo de novas propostas, novas perspectivas e novos métodos de trabalho, devendo todo e qualquer órgão de gestão assumir compromissos, metas e resultados, para que perante eles se possa avaliar a atividade desenvolvida, corrigir processos e promover a melhoria continua da gestão do Basquetebol.

Oportunamente dirigir-me-ei a todos os juízes apresentando-lhes aquilo que considero serem as linhas de orientação do meu mandato e que espero venha a merecer o seu apoio, condição indispensável para que se possa tornar uma realidade.

Valdemar Cabral

sábado, 19 de abril de 2014

DIRETOR TÉCNICO ARBITRAGEM


FERNANDO ROCHA
 
 
Após a minha última reflexão neste espaço, foi-me colocado o desafio de ir um pouco mais além e apontar medidas concretas para a melhoria do desenvolvimento da arbitragem.

Compreendo esse ponto de vista e ele está no meu objetivo.

No entanto, a minha sensibilidade e experiência diz-me, há muito, que o problema essencial é de visão, definição de objetivos e de capacidade de mobilização e não de ideias avulsas e sempre desgarradas do todo que é o Basquetebol.

Todas as ideias têm que assentar em objetivos concretos e as pessoas que as possam executar, devidamente enquadradas na estratégia que venha a ser definida.
 
Por isso, o que para mim é essencial são os aspetos subjectivos e de valores, e a eles me tenho referido de forma mais persistente, quer neste espaço quer nas escassíssimas oportunidades em que se fala de arbitragem, designadamente nos clinics da ANJB.

Isso não invalida o reconhecimento da necessidade de concretizar algumas ideias e a forma de as implementar, o que irei fazendo "step-by-step"

Uma ideia chave já defendida, e devidamente concretizada, é a absoluta necessidade de alterar os Estatutos da FPB no que concerne à organização da arbitragem, proposta que considero essencial para se dar um passo em frente no envolvimento de Treinadores, Jogadores e Dirigentes na procura das melhores soluções para o desenvolvimento sustentado da arbitragem.

Dando mais um passo, é imperioso criar o lugar de Diretor Técnico para a Arbitragem (DTA) e ressuscitar um ideia de há mais de 20 anos, mas deixada ao abandono não se sabe bem porquê, que é a criação do Corpo Técnico Nacional da Arbitragem (CTN).

Temos em Portugal do melhor que há no mundo conhecido para o desempenho dessas funções, isto é, pessoa com reconhecida capacidade técnica, disponibilidade para o efeito, espírito de colaboração, bom senso, capacidade de gerar consensos e, acima de tudo, humildade e capacidade de trabalho em prol dos outros.
 

Não há qualquer hipótese de, no quadro actual e nos próximos anos, pensar o desenvolvimento da arbitragem que não seja envolvendo pessoas com aqueles predicados e para mim não há dúvidas de que só existe uma pessoa - o árbitro FERNANDO ROCHA.
 

Com ele seria definido o CTN o qual não deveria ter mais do que 5 elementos representando os 3 setores da arbitragem:

Árbitros, Oficiais de Mesa e Comissários Técnicos.

O DTA e o CTN, enquadrados na estratégia do CA/FPB, apresentariam um programa de ação que, se aprovado, asseguraria em direta colaboração com os CAD´s a execução assente em 3 vertentes:
  • Captação e formação de novos juízes;

  • Programas de formação contínua regional e nacional;

  • Divulgação de orientações e recomendações técnicas.

Este é um pequeno e simples passo que depende, exclusivamente, da vontade de quem propõe e da disponibilidade do nomeado para aceitar, mas que significaria, indubitavelmente, um grande avanço para a arbitragem.

Vamos analisando, discutindo e definindo cada peça do puzzle e, no fim, juntemos as peças e talvez tenhamos dado um forte contributo para a nossa modalidade.

 

Valdemar cabral

sexta-feira, 18 de abril de 2014

ELEIÇÕES F.P.B.

 
 

REFLEXÕES

 

Do feedback que tenho recebido sobre as ideias/propostas para a arbitragem que vou partilhando neste espaço com todos aqueles que, de boa fé e espírito construtivo, querem trabalhar em prol da modalidade, uma das opiniões mais frequentemente transmitidas é que as ideias correspondem, em muito, àquilo que seria desejado, mas a realidade da nossa modalidade não reúne as melhores condições para as levar a efeito, sendo muito difícil de as implementar.
 
Apesar de não concordar plenamente com esta ideia, também não é menos verdade que as coisas não serão fáceis, pelo que a ponderação
de outros factores terá também que ser feita.

 
No entanto, é sempre preciso um sonho para criar um conceito, para obtermos a superação, e são precisas pessoas para tornar os sonhos realidade.
 
Se nos bastarmos sempre só com aquilo que é possível, quer queiramos quer não, muito dificilmente superaremos a realidade e acabaremos por fazer sempre o mesmo, umas vezes melhor outras vezes pior.
Por isso, com bom senso e sentido de responsabilidade, deveremos sempre sonhar e lutar por esse sonho.
 
Estas reflexões poderão ser sonhos que não têm pessoas para os tornar realidade, mas é minha convicção que mais cedo do que tarde terão que ser uma realidade.
 
A modalidade precisa dessa reflexão, precisa da participação de clubes, treinadores e jogadores no desenvolvimento da arbitragem, mas essa participação tem que ser verdadeiramente integrada, responsável e responsabilizante.
 
Ninguém tem a solução única ou é detentor da melhor solução, por isso, é para mim absolutamente decisivo eleger a Assembleia Geral da FPB como o fórum, à falta de melhor, para discutir, definir e assumir compromissos para o desenvolvimento da arbitragem
 
É evidente que não pode ser o local único de discussão, nem é essa a sua função determinante, mas tem um papel catalisador e, acima de tudo, a função deliberativa que só a ela cabe.
 
Assumida esta dimensão, fácil será multiplicar os espaços de trabalho sobre a arbitragem, pelo menos sobre a arbitragem que eu sonho.
 
Mas este sonho, para ser realidade, necessita de pessoas, isto é, de liderança com capacidade de gestão.
 
Liderança no sentido de contagiar e comprometer uma equipa vencedora, de saber comunicar com impacto os objectivos e metas a alcançar;
 

Capacidade de gestão numa perspectiva de antecipar necessidades, definir valores e ter uma visão.

Não nos preocupemos com as pessoas mas com os projetos, e não tenhamos o doentio defeito de ver em quem não pensa como nós, os nossos inimigos.
 
 
Como já referi neste espaço, o pensamento divergente deve ser aceite como um contributo positivo, assente no princípio que a diversidade de opinião é um valor indispensável para o desenvolvimento das sociedades.


valdemar cabral

terça-feira, 1 de abril de 2014

ELEIÇÕES F.P.B.



Reflexões - Parte II

Enquadramento Estatutário do Conselho de Arbitragem

 
Para que o setor da arbitragem reforce a relevância institucional que lhe é devida e, acima de tudo, motive a discussão, participação e envolvimento de clubes, treinadores, jogadores, dirigentes e juizes na procura das melhores soluções e dos melhores processos de trabalho, torna-se necessário que o seu enquadramento na estrutura da modalidade seja mais pró-ativo e também a arbitragem incentive a participação de outras partes e lhes conceda espaço de opinião e relevância nas decisões.

Já lá vai o tempo em que se defendia que a arbitragem é uma questão para os árbitros como, durante muito tempo, se defendeu que a gestão dos hospitais era para os médicos e a dos Tribunais para os Juízes.

Nada disso, a gestão de qualquer atividade tem dois domínios autónomos, mas complementares - o especificamente técnico e o politico-estratégico, pelo que o que importa é capacidade de constituir e liderar equipas competentes e multidisciplinares, perfeitamente alinhadas com a estratégia aprovada.

Neste sentido, tendo presente que nos termos da legislação aplicável e dos Estatutos federativos o CA/FPB é um órgão autónomo executivo e que o poder deliberativo reside, exclusivamente, na Assembleia Geral, seria de todo recomendável transferir para a Assembleia Geral o fórum de excelência de discussão, definição e aprovação das grandes linhas estratégicas da arbitragem e, complementarmente, nela os seus responsáveis procurarem os  apoios e a co-responsabilidade de todos os agentes para as suas propostas de trabalho.

Seria uma nova forma de encarar o diálogo da arbitragem com a modalidade e, por outro lado, uma oportunidade para sensibilizar todos os agentes para as dificuldades e questões que preocupam os juízes e a arbitragem.

Por outro lado, o próprio CA/FPB terá que procurar uma forma organizativa mais inovadora, dinâmica, transparente e assente num modelo de gestão que aponte para a plena participação e responsabilização de todos os seus membros e permita, por outro lado, a monitorização da sua atividade face aos objetivos estratégicos propostos.

Em termos concretos, e em linhas gerais, a nossa proposta de enquadramento estatutário do CA/FPB no quadro legal existente, passaria pela alteração dos Estatutos da FPB no seguinte sentido:


1º - Consagração do principio de, anualmente, o CA/FPB submeter a análise, discussão e aprovação da AG o Relatório de Atividades referente a cada ano/época, bem como o Plano de Atividades e Orçamento para a época seguinte, documentos a que, mais detalhadamente, voltaremos numa próxima reflexão;

2º - A estrutura de funcionamento do CA assentaria na existência dos seguintes Pelouros, para além de outros que o próprio CA entenda criar:

Área Técnica;

Formação;

Nomeação de Juízes;

Avaliação de Juízes.

 
3º Cada Pelouro teria um membro do CA como Responsável, não podendo nenhum dos membros ter sob sua responsabilidade direta mais que 2 Pelouros;


4º O Pelouro das Nomeações e o das Avaliações  teriam Responsáveis distintos;


Esta proposta, ou outras que venham a ser consideradas pertinentes, teria, sem qualquer margem de dúvida,  como grande consequência enriquecer a participação de todos no setor da arbitragem, promover a relevância da arbitragem no seio da modalidade e co-responsabilizar todos os agentes pelos sucessos e insucessos alcançados.

Penso que valerá a pena refletir….

Valdemar cabral

domingo, 30 de março de 2014

ELEIÇÕES PARA A F.P.B.

REFLEXÕES - Parte I

 
Com as recentes decisões da Assembleia Geral da FPB, deu-se formalmente início a um processo global para eleição dos titulares dos órgãos sociais de FPB e para os Delegados da Assembleia Geral.

Este processo, para que todos os amantes da modalidade estão convocados,  deve ser encarado com a máxima normalidade e responsabilidade, pois é necessário dar o passo em frente e saber assumir responsabilidades.

Mas devemos fazê-lo com transparência e com plena abertura para discutir ideias e projetos, e não pessoas, sabendo respeitar o passado e quem ao longo dos anos deu o melhor do seu saber e competência em prol da modalidade, enquanto outros mais se preocuparam com as suas vantagens e, nalguns casos, se demitiram das suas responsabilidades.

Não se deve, por isso, construir um projeto pela negativa nem contra ninguém, mas com todos aqueles que revelarem espírito criativo e inovador ao serviço da modalidade e a queiram servir com espírito de missão e contribuir para o seu desenvolvimento.

O que importa são os projectos e não as pessoas, e devemos exigir delas o compromisso pelo cumprimento das propostas que vierem a ser merecedoras da preferência.

O setor da arbitragem, tal como todos os outros restantes órgãos sociais, também vai estar sujeito ao processo eleitoral, pelo que é tempo de sobre ele darmos os nossos contributos e esperar que da discussão surjam os melhores projectos e os melhores agentes para a sua execução.

Ao longo dos últimos anos a arbitragem tem alicerçado todo o seu trabalho no carater voluntarista dos seus protagonistas faltando, de facto, um projecto, uma estratégia e, acima de tudo, um real compromisso com a modalidade.

A arbitragem vive qual região autónoma num país em crise, sem compromissos com a realidade e sem ter sequer que prestar contas da sua atividade a ninguém.

É preciso dar outra dimensão ao setor da arbitragem e deixar de reduzir a sua atividade à mera gestão das nomeações e dos juízes.

Todos sabemos que a cristalização de pessoas e sistemas pode ser o primeiro passo para a estagnação, pelo que importa promover a abertura a contributos de outros agentes, prosseguir um modelo de gestão com compromissos e implementar métodos de acompanhamento de toda a atividade, por forma a avaliar sistematicamente os desempenhos, com o que, por certo, se contribuirá para uma nova era no desenvolvimento da arbitragem.

É tempo de dar passos certos nessa direção.

Nesse sentido, iremos formalizar algumas propostas para discussão com quem, de boa fé, queira contribuir para o desenvolvimento da arbitragem e do Basquetebol.
 
Valdemar cabral

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

ELE NÃO NOS MERECE!



"Futebol português não merece os árbitros que tem".
Pedro Proença

 

Referi-me no meu último texto à necessidade de" ter presente que a par de se querer formar um excelente árbitro, é necessário trabalhar para formar um excelente homem, ou mulher".

Não esperava que tão rapidamente esta minha opinião tivesse tão ilustrativo fundamento.

Por isso, trouxe-a à colação, porque não gostaria que um árbitro de basquetebol, por mais reputado que fosse o seu desempenho, alguma vez proferisse afirmações como as que recentemente foram proferidas por Pedro Proença, árbitro internacional de futebol.

De facto, o futebol português não merece este tipo de árbitros, mas outro tipo de homens e mulheres.

Pessoas com humildade, sentido critico, respeito pelos concidadãos que lhes pagam, ou proporcionam condições para serem pagos.

É facto que há na comunicação social um generalizado excesso de apreciação crítica da arbitragem do futebol, não se dando o beneficio da dúvida, nem respeitando uma atividade como a de árbitro, de qualquer modalidade.

Mas também é facto que os árbitros têm que viver, e saber viver, com essa pressão, é o preço do vedetismo tantas vezes procurado, dever e obrigação que se impõe a quem defende o profissionalismo e a ele aderiu.

Não foi a arbitragem que "chamou" toda a comunicação social para divulgar a cerimónia das insígnias da FIFA para a presente época?

Não merecerão os erros grosseiros (ou não os há?) igual destaque?

Pena que a falta de merecimento de todos nós por aquela ilustre personagem, não seja acompanhado da sua emigração para outros países, como a tal são forçados milhares e milhares de jovens com competências bem mais úteis a Portugal.

Os árbitros de topo do futebol nacional são profissionais principescamente remunerados.

Se, por vezes, são injustiçados, que dizer dos homens e mulheres que trabalham 8h e mais por dia para terem um salário de €485,00?

Que dizer de quem tem um intervalo para ir à casa de banho, que é descontado no horário de trabalho?

De quem é obrigado a levar de casa o papel higiénico que utiliza no trabalho ou a alimentação que vai comer sentado no degrau de uma escada ou num banco de madeira? 


Que dizer de quem, tantas e tantas vezes, tem que viver com a coação moral e psicológica da sua entidade patronal, ou dos seus representantes?

E são estes que, no anonimato, alimentam o mundo do futebol, com as suas virtudes e misérias.

É certo que alguns árbitros têm tido bons desempenhos internacionais e, por isso, participado nas mais importantes competições europeias e mundiais não tendo merecido, internamente, o mesmo reconhecimento.

Mas é sério alegar que se sou "bom" na Europa também sou "bom" em Portugal?

Este é um discurso conhecido, mas que não serve senão para tentar tapar o sol com a peneira.

Portugal nada deve a estas personagens que, filhos do anonimato, devem ao futebol toda a notoriedade que têm.

Por tudo isto é que a formação, o acompanhamento e o exemplo de quem dirige são determinantes para formar homens e mulheres que honrem o País em todas as suas atividades, lúdicas ou profissionais, e façam do Desporto uma escola de educação cívica e desenvolvimento pessoal.

Valdemar cabral